As primeiras lições da Escola Sabatina foram preparadas num
marco histórico dramático.
No verão de 1852, seis anos após o início da pregação
da mensagem do terceiro anjo. A sede da Igreja Adventista estava numa casa
alugada em Rochester, Estado de Nova Iorque, EUA, onde poucos meses antes
haviam instalado a primeira impressora adquiria por esta Igreja.
A cólera estava atingindo aquela cidade e o som das carretas fúnebres
conduzindo os mortos fazia lembrar aos vivos o presságio de sua morte.
O medo dominava o povo.
Tiago e Ellen White tinham reuniões programadas de Rochester até
Bangor, a 680 km de distância. Mas o filho Edson de três anos
foi acometido pela doença. Como podiam partir ? Os irmãos e
irmãs o encomendaram ao Senhor em oração, e a cólera
se deteve. Mas ele continuava débil, sem reagir. Os compromissos exigiam
que partissem. Não o podiam deixar. Pondo-o sobre um travesseiro, atrelaram
os cavalos e saíram às 16:00 horas para percorrer 32 km antes
de dormir.
“Se vocês continuarem”, disse o hospedeiro onde pernoitaram.
“Vocês terão de sepultar a criança à beira
da estrada”. Mas eles continuaram. A mãe, exausta, cochilava
com o filho entre as almofadas, no colo, amarrado com uma corda ao seu corpo
e ao assento da charrete, para não cair de sono pelas noites sem dormir.
O pai, com as rédeas nas mãos olhava o caminho e olhava as perninhas
do menino dançando aos trotes dos cavalos. “Oh Senhor, poupe
a sua vida!”, era a sua oração mental. “Sepulta-lo-emos
a beira do caminho?”, era sua inquietação. “Oh!
O fim do mundo, a volta de Jesus, estará ele salvo?”
De repente seus pensamentos saltaram para os milhares de crianças e
jovens em perigo de perder não só esta vida, mas a vindoura
também. Ali em meio a viagem, este ex-professor primário que
aprendera a amar crianças, sentiu profunda agonia de alma pela salvação
delas. Assim que pararam ao meio-dia para comer algo e deixar os cavalos pastarem,
ele começou a escrever sobre a caixa do almoço as lições
da Escola Sabatina em forma de perguntas e respostas. Eram para crianças,
mas os pais as estudaram também. O pequeno Edson melhorou pouco a pouco.
A viagem durou mais de um mês. Mas as lições da Escola
Sabatina continuam até hoje, e seguirão sem dúvida como
o melhor instrumento de doutrinação de homens e mulheres, jovens
e crianças, até Jesus voltar.
Thiago White foi o primeiro autor de lições. Ainda que, com
algumas interrupções, seguiram-se outros como R. E. Cottrell,
William Higley, Uriah Smith, Adélia Poten, G. H. Bell, etc.
G. H. Bell deu uma forma mais didática a lição e as que
ele escreveu foram usadas por 25 anos. Ele foi também o primeiro professor
paroquial adventista.
As lições foram se diversificando e aprimorando à medida
que o grau de desenvolvimento dos alunos indicava a necessidade de novas lições
e as condições o permitiam. Em 1888 apareceram as lições
para adultos; em 1890, a dos primários; em 1911, a dos juvenis; em
1933, a do rol do berço; e em 1957, para o jardim da infância.
Em 1890, já havia lições em inglês, alemão,
francês, sueco e dinamarquês.
No Brasil, nos primeiros anos de crescimento da Igreja Adventista, as lições
estudadas por nossos pioneiros eram geralmente na língua alemã.
As lições só começaram a ser publicadas em português,
quando surgiu nossa Editora Adventista (Atual Casa Publicadora Brasileira
– www.cpb.com.br), mais precisamente quando a editora começou
a publicar a Revista Adventista, em 1906, com o nome de Revista Trimestral,
onde as lições eram publicadas como parte da revista.
A primeira lição da Escola Sabatina publicada no Brasil foi
na edição de Janeiro-Março de 1906 da Revista Trimestral
(Atual Revista Adventista).
A partir do primeiro trimestre de 1908, a lição começou
a ser editada separadamente da Revista Trimestral, sendo uma publicação
independente, como é hoje. A partir deste ano, a Revista Trimestral
passou a se chamar Revista Mensal, que foi a época que a revista começou
a ser editada mensalmente.
Em janeiro de 1909, a Revista Mensal começou a publicar as “Lições
Bíblicas para Meninos”, que seria a precursora das “Lições
dos Menores”. Essa lição não existia separação
por faixa etária, era uma única lição para as
crianças.
No ano seguinte, em 1910, as lições para as crianças
passaram a apresentar o título geral e os versos áureos.
As publicações das lições para as crianças
foram publicadas na Revista Mensal (Revista Adventista) até o ano de
1911. A partir desta data, as publicações das lições
passaram a ser independentes, como já ocorria com a Lição
dos Adultos.
Hoje temos 8 tipos de lições em circulação no
Brasil: Rol do Berço, Jardim da Infância, Primários, Juvenis,
Adolescentes, Jovens, Adultos e Lição dos Adultos para os Professores.
As lições da Escola Sabatina constituem o texto do magistério
da Igreja. Existem milhões de alunos no mundo matriculados na Escola
Sabatina que se beneficiam semanalmente com o estudo da lição.
Diz o Espírito de Profecia: “Uma porção
do tempo de cada dia deve ser reservada ao estudo das lições.”
– Conselhos sobre Escola Sabatina, pág. 53.
Este artigo foi elaborado por Vanio Fortes, baseado em pesquisas realizadas
por: Andréa Cordeiro, secretária de redação da
Casa Publicadora Brasileira. O texto da história da lição
no mundo, foi retirada de matéria publicada na Revista Adventista de
dezembro de 1989, de autoria do Pr. Henrique Berg, que até então
era diretor do departamento de Escola Sabatina da Divisão Sul-Americana.